De novo

Sim, eu estou apaixonado. De novo. E chega a ser estranho como minhas paixões surgem - e como se vão também. Anteontem, foi uma pessoa do Tinder - que eu nunca vi na minha vida. Ontem, foi uma pessoa que eu só vi uma única vez na minha vida. Hoje, é uma pessoa diferente da que eu conheci anteriormente. Não estou aqui para falar de pessoas que eu já me apaixonei (por mais que sejam curiosas para se fazerem cronicas).


*É expositório demais citar nomes. Mas vou tentar explicar essa paixão da maneira mais discreta possível (para não expor nada, nem ninguém.

Eu comecei a frequentar um projeto e essa pessoa também frequentava. Na verdade não era um projeto, era uma competição. O vencedor ganhava um grande prêmio e todos almejavam aquilo - embora, curiosamente, o ambiente não tinha um clima de competição.

Ao todo, nos 'vimos' mas 6 vezes (durante esse projeto). 

Sim, vimos com aspas. Pois nos encontros tinha nós 2 e mais 400 pessoas num auditório relativamente pequeno e lotado.

Eu já havia reparado nele algumas vezes. Obviamente, superficialmente. E sim, ele é uma pessoa muito bonita - é como dizem os jovens de hoje em dia: o menino padrãozinho. Eu havia reparado e era o tipo de pessoa que eu olhava e pensava: "Cara, eu preciso falar com essa pessoa! Ele deve ser muito legal!". Só que minha mente não funciona assim*.


*Aparentemente, na minha Fantástica Fórmula de Socializar Aleatoriamente Com Pessoas (FFSACP) não inclui quando eu quero ser amigo ou falar com aquela pessoa. Ela não consegue planejar quando eu devo falar com alguém. Apenas falo.
Eu consigo falar com qualquer pessoa. Qualquer. Bote a pessoa mais antissocial do mundo na minha frente, que ela se torna minha amiga.


No sexto encontro, que eu presumi que era a última vez na minha vida que eu iria vê-lo, decidi que deveria falar com ele. Sim, dizem que eu sou dramático mas, como todos, digo que "a culpa é do signo" [tenho ascendente em câncer (não que isso signifique algo)].


Nesse dia, era tal entrega de prêmios. Acabou que ele venceu e eu não (mas fiquei numa boa colocação). Ele não foi muito pontual, tanto que chegou atrasado e ficou sentado no chão do lado da cadeira da minha frente. Embora ache que ele tenha uma justificativa, já que estava de uniforme. O que me faz pensar: Quem diabos tem aula sábado?

Ele pegou seu prêmio (eu estava ansioso para pegar o meu) e eu consegui algo inacreditável. Puxei assunto com ele. Me lembro que a segunda frase que eu disse a ele foi: "Nossa, que filha da puta você". Eu e minha fantástica habilidade de falar palavrão como se fosse pontuação.

E começamos a conversar. Para ser sincero, nós 4 (eu, ele e mais 2 pessoas da escola dele) ficamos conversando durante um tempo. Falamos desde o que queríamos fazer na faculdade até o fato de um baile funk ser realizado na Barra. Aquela tarde acabou. Aquele dia acabou e não nos falamos mais. 

Eu não tive coragem de puxar assunto com ele no Facebook. Ele, é bem provável, que tivesse esquecido de minha existência depois daquele ápice de nosso relacionamento (não falo de forma amorosa, antes que me achem um psicopata). Então ignorei e, como dizem, segui o baile.

Nos reencontramos na Bienal do Livro. Conversamos pouco também (pois meus amigos estavam querendo olhar tudo embora fossem comprar nada). Me lembrei do quanto aquela risada, aquele sorriso e aquela voz me faziam sentir bem. Era uma delicia vê-lo rindo de algum comentário cômico meu. De como os olhos dele ficavam orientais enquanto ele abria um largo sorriso.

Aí, depois daquele encontro, meu coração entra em pane como se fosse eu fosse um grande Megazord e grita: DE NOVO! VAI ACONTECER TUDO DE NOVO!
Meu coração está bastante acostumado da forma em que eu me iludo/apaixono.

Um dia eu tomei um "Chá de coragem" e chamei ele no chat do Facebook. Na verdade, não foi bem um ato de coragem. Acontece que eu fui fazer um curso na escola dele e não sabia se ele iria fazer também, por isso chamei no inbox... Ok, foi a desculpa e o momento perfeito para eu chama-lo. E, então, começamos a conversar bastante (estamos há mais de uma semana conversando) e eu estou aqui:
Apaixonado por alguém.
Que não faço ideia se ela também sente algo por mim.
Que, provavelmente, vai me iludir.
E, então, ressuscitarei as melhores músicas da bad do rock e da mpb.
De novo. 

Comentários